Quais as diferenças entre o mercado imobiliário brasileiro e o estrangeiro?

Quais as diferenças entre o mercado imobiliário brasileiro e o estrangeiro?

É certo que cada país tem a sua cultura e, consequentemente, cada povo tem o seu modo de investir e que cada nação tem as suas normativas para vender.

Se tratando de negócios imobiliários não é diferente. Em cada canto do mundo as formas de vender e comprar imóvel são distintas.

Quando falamos das diferenças em relação aos negócios imobiliários não estamos nos referindo apenas ao poder aquisitivo ou a forma como agem os corretores no exterior.

Falamos de todo o processo.

É sobre isso que vamos falar no nosso post. Continue lendo e saiba quais as diferenças entre o mercado imobiliário brasileiro e o estrangeiro.

Imóveis são bens de baixa liquidez em todo lugar do mundo

Independentemente do continente ou do país, existe uma realidade comum entre todos: imóveis são bens de baixa liquidez.

Vamos abrir um parêntese para explicar que liquidez trata-se de um conceito na economia que leva em conta a facilidade e rapidez com que um bem ou um investimento pode ser convertido em dinheiro rápido.

A baixa liquidez, então, se refere a dificuldade em vender esse bem, ou seja, ele não é vendido de imediato.

Geralmente leva meses ou até anos para se efetuar uma venda e muitas vezes é negociado por um preço menor do que vale, isso é o que ninguém te conta, né?!

Se esse fato é uma realidade mundial, por outro lado existem muitas diferenças entre o mercado imobiliário brasileiro e o estrangeiro.

Conheça um pouco das peculiaridades que Roberta Delunna, especialista em mercado imobiliário, e Clézio Amorim, especialista em Atendimento em Vendas, nos contaram sobre o mercado estrangeiro, em países como Alemanha, Holanda, Itália, Portugal e Estados Unidos.

Alemanha: alto rigor jurídico para proteção na negociação

Um dos principais países da Europa, a Alemanha, é um modelo de organização em todos os aspectos.

No que diz respeito ao mercado imobiliário alemão a compra e venda de imóveis têm regras específicas e rigorosas.

Essas regras têm como objetivo proteger tanto os compradores e vendedores, como os credores.

A primeira exigência para vender um imóvel na Alemanha é que se realize um inventário desse. Esse documento vai garantir ao vendedor o amparo legal em casos de contestação.

Lá é obrigatório que todos os contratos de compra e venda de imóvel sejam autenticados em cartório de notas e quando isso não acontece o contrato é considerado nulo.

Lembrando que aqui no Brasil esse procedimento de autenticar o contrato em ofício também é recomendado e que muitas vezes não é realizado, principalmente entre negócios de pessoas físicas.

Cláusula extra no contrato

Ainda na Alemanha, o vendedor poderá, se achar conveniente, adicionar uma cláusula no contrato de compra e venda do imóvel solicitando que o valor da negociação seja depositado em conta de responsabilidade do ofício de registro de imóveis.

Esse método é usado como garantia tanto para o proprietário do imóvel como para o comprador.

Portugal: agilidade nos processos do mercado imobiliário

Uma das grandes reclamações, principalmente no que diz respeito à avaliação da documentação dos imóveis no Brasil é a demora para ser liberada.

Outro diferencial no mercado imobiliário estrangeiro, mais propriamente europeu, é a agilidade dos processos.

Países, como Portugal, aprontam todo o processo de avaliação imediatamente, ou seja, na hora em que é feita a solicitação.

Uma outra diferença entre o mercado imobiliário brasileiro e o estrangeiro é a relação do corretor com o comprador no pós-venda e o seu comportamento quando busca um imóvel.

Em Portugal, por exemplo, é comum o corretor de imoveis continuar se relacionando com o cliente.

Os corretores têm por hábito manter contato, cativando-o cada vez mais. Muitos deles enviam mensagens e cartões em datas especiais, num gesto de fazer o comprador se sentir lembrado.

Poucos são os profissionais aqui no Brasil que mantêm contato com algum comprador, depois da negociação finalizada.

Outro detalhe interessante é que para o profissional atuar em Portugal, não é necessária a licença de um órgão específico, como o CRECI aqui no Brasil.

A qualificação dos profissionais “corretores de imóveis”, fica a cargo deles mesmos, facilitando seu ingresso no mercado e abrindo espaço talvez até para a própria imobiliária.

EUA: profissionais altamente qualificados

O mercado imobiliário norte-americano é mundialmente conhecido pela alta qualidade dos profissionais que nele trabalham e pelas exigências impostas para se tornar um corretor de imóveis.

O candidato a corretor primeiramente deve fazer um curso de 63 horas, onde aprende sobre o mercado em si e sobre a profissão de forma geral.

Aprovado nesse curso, ele passa por uma prova em que são apresentadas 100 perguntas e ele deve obter, no mínimo, 75% de acertos.

Outro detalhe é que o candidato a corretor não pode ter antecedentes criminais, e isso é muito importante no país, pois garante a segurança das famílias que estão colocando o profissional dentro de suas casas.

Um outro fato interessante é que eles se tornam especialistas em categorias de imóveis, por exemplo, corretor de apartamento de luxo ou de temporada, condomínios ou resorts, como exemplo o Condomínio Resort “Fisher Island”, muito conhecido em Miami e com profissionais especializados nas unidades autônomas que oferecem várias plantas diferentes, como as maravilhosas coberturas.

Em relação à compra e venda, um dos grandes diferenciais do mercado imobiliário americano é que também, a exemplo dos países da Europa, todos têm inventários completos.

A curiosidade é que nos EUA existe um corretor vendedor e um corretor comprador, e quando a venda é fechada eles recebem seus devidos honorários em um órgão específico para isso, muito bom isso, não é?

E também como acontece no Brasil, tanto o proprietário como o comprador americano, pode escolher o corretor de preferência.

Mas, os corretores só podem vender o imóvel que esteja dentro das regiões que atende.

Formação do corretor profissional brasileiro

O candidato a corretor no Brasil precisa concluir um curso superior ou técnico na área para obter o registro no CRECI.

O curso técnico geralmente é em Transações Imobiliárias e o superior é em Ciências Imobiliárias/Gestão de Negócios Imobiliários ou qualquer outro autorizado e reconhecido pelo órgão.

Outras curiosidades na Holanda e na Itália

Na Holanda, existem critérios interessantes para as vendas, como as placas.

As edificações em Amsterdã são prédios altos, com até 5 pavimentos, quando o cliente precisa vender rápido a placa estará afixada no primeiro andar e normalmente o valor estará abaixo do praticado naquela região.

Quando ele está disposto a negociar, a placa ficará no andar intermediário. Já a placa no último pavimento indica que o dono do imóvel já tem um preço fechado e não quer negociar o valor, fácil e prático.

A Itália, muito conservadora, possibilita em áreas históricas, como exemplo o centro de Milão, um potencial construtivo muito intrigante.

Quando o proprietário compra o último andar, ou seja, a cobertura do edifício, ele não a possui por completo, pois o potencial construtivo destas áreas significativas estão acima do último pavimento.

Portanto, existem empresas que compram o potencial construtivo acima das coberturas e a obrigatoriedade vem da conservação exata das fachadas e sua arquitetura.

Agora que você já sabe quais são as diferenças entre os mercados imobiliários, que tal ler as perspectivas para esse nicho em 2019?

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